Masculino feminino, legado dos anos 40

Os anos 40 foram marcados pela segunda guerra mundial. A moda teve que se adequar àqueles tempos difíceis. Paris, a capital da alta-costura, contava com estilistas que fizeram história, como Coco Chanel, Elsa Schiaparelli, Jeanne Lanvin, Lucien Lelong e Nina Ricci. Quando foi invadida, em junho de 1940, já não reunia todas as suas maisons, mas mesmo assim, durante a guerra 92 ateliês ainda funcionavam por lá.

Com a escassez de materiais, a mulher teve que aprender a reformar suas roupas e usar tecidos alternativos da época. A silhueta era bem masculinizada e em estilo militar. Nos casacos e abrigos os ombros ganharam volume. A cintura ficou mais estreita, marcada por um cinturão. Além das saias um pouco mais curtas, justas, ou com pequenas pregas, o público feminino aderiu a calças compridas. A bicicleta era muito utilizada, com isso, houve o surgimento da saia-calça, prática e confortável. Aí se viu a primeira estética, masculino feminino.

Pela falta do nylon, as meias finas desapareceram do mercado. Algumas mulheres pintavam suas pernas com pastas cor da pele e desenhavam com lápis uma fictícia costura traseira das meias. Nos pés os calçados eram pesados e a plataforma foi muito usada. Devido a todas essas dificuldades, as mulheres usaram lenços e exageraram nos chapéus com criatividade, quebrando a monotonia do momento. Aqui no Brasil, o marco foi Carmem Miranda que divulgou a cultura e o jeito de ser brasileiro, e difundiu a moda das plataformas para todo o mundo.

Durante a guerra o ready-to-wear (pronto para usar) depois chamado pelos franceses de prêt-à-porter, que consiste em produzir roupas de qualidade em grande escala, realmente se consolidou. Pela primeira vez, a elegância só ostentada pela elite era encontrada nos magazines a preços acessíveis.

A crise atual traz novamente para a cena da moda referências dos anos 40. Isso é visto na tendência “Encadeamento”. A alfaiataria clássica ou construtivista retoma as vitrines e as ruas no Inverno 2010.